The Ordher

Por Matheus Vieira
27/12/2009


Recém chegada de uma tour pela Europa ao lado de Vader e Marduk, a banda gaúcha The Ordher está de volta ao Brasil. Divulgando seu segundo álbum, o ótimo Kill The Betrayers, o grupo vem sendo alvo de ótimas críticas, e parte para a divulgação definitiva do material em terras brasileiras.

O guitarrista da banda, o lendário Fabiano Penna, contou ao Novo Metal detalhes sobre a tour também peculiaridades do elogiado Kill The Betrayers.

Novo Metal - Primeiramente, conte-nos como foi a tour que a The Ordher fez recentemente pela Europa ao lado das bandas Vader e Marduk.

Fabiano Penna: A tour rolou entre setembro e outubro. Passamos por 9 países na Europa num total de 30 shows. Além do The Ordher, ainda tocou o Fleshgod Apocalypse, banda italiana, e os headliners Vader e Marduk.

Para gente foi uma puta oportunidade de mostrar nossa música, divulgar nosso disco novo, conhecer muita gente e também reencontrar muitos amigos, enfim, rolaram muitos shows que vão ficar na nossa memória por muito tempo.

Só temos a agradecer a todos que compareceram nos shows, ao pessoal da equipe, às outras bandas também, foi tudo muito positivo pra gente.

Novo Metal - E a relação pessoal da banda com os dois grupos, como era o tratamento por parte deles? Vocês se surpreenderam com alguma situação? Nesse tempo ocorreu algo de muito curioso entre vocês?

Penna: Foi tudo muito tranqüilo, inclusive alguém comentou lá pelo final da tour a respeito disso, que foi uma giro muito tranqüilo, todo mundo cooperando pra coisa andar bem.

Acabamos ficando muito amigos dos italianos do Fleshgod Apocalypse. Dividíamos o mesmo backline e acabamos sempre ajudando uns aos outros pra coisa fluir melhor. E com as bandas principais também rolou uma interação, o Voog, guitarrista do Vader e Decapitated, tocou com a gente um cover do Sepultura pelo menos em uns 10 shows.

Chegamos a fazer Jam também com o baterista do Vader, o Paul, o Lars, baterista do Marduk também tocou com a gente. Ele sempre acompanhava o nosso show e curtiu muito o estilo do Cássio tocar e sempre ficava de olho vendo nosso set e tal. Enfim, rolou tudo muito bem, felizmente.

Novo Metal - Você disponibilizou para os fãs um tour book para mantê-los informados. Houve muita troca de experiências entre o público e banda?

Penna - Resolvi escrever o tour report porque sempre há fatos interessantes para quem curte nosso trabalho. Eu sempre gostei de saber o que rola na estrada com as bandas que eu curto. Gosto de ler relatos de turnês, biografias de artistas contando o que rolava na estrada e tal, então achei bacana escrever esse diário pra quem curte o trampo do The Ordher saber um pouco do que rola na estrada.

Claro que foi um texto sintetizado, porque foram muitos shows e não tinha como detalhar tudo que rolou, mas é um registro interessante. Muita gente que leu já veio comentar algumas coisas comigo e com os outros caras também.

Novo Metal - De volta ao Brasil, a banda planeja agora um giro pelo território nacional?

Penna: Com certeza. Queremos tocar aqui no país também. Nos últimos 2 anos fizemos vários shows por cidades como Fortaleza, Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, então esperamos pelo menos voltar a tocar nesses lugares. O pessoal que tiver interesse em ter a banda tocando, pode entrar em contato pelo e-mail theordher.shows@gmail.com.

Novo Metal - Falando especificamente de Kill The Betrayers, novo álbum do grupo. Em quais aspectos vocês apontariam que evoluíram em relação ao material anterior, Weaponize?

Penna: O disco é uma continuação do outro, é um estilo bem similar, mas evoluído. Tenho certeza que evoluímos em todos os aspectos nesse álbum, a produção ta melhor, as músicas estão mais bem tocadas, com mais pegada, as letras estão melhores, o disco ta mais uniforme também.

No Weaponize, a gente misturou bastante coisa e em alguns momentos perdemos a uniformidade. Já no Kill The Betrayers conseguimos manter a uniformidade mesmo variando tempos e investindo em alguns momentos em grooves, coisa rara em Metal extremo. Enfim, o disco mostra a banda evoluída, melhorada.

Novo Metal - Kill The Betrayers caiu rapidamente nas graças dos fãs de Death Metal, e é apontado pela mídia especializada como um dos melhores álbuns nacionais do ano. Esperavam uma resposta positiva tão rapidamente?

Penna - Quando a gente estava produzindo o disco, sabíamos que viria um trabalho de qualidade, então consequentemente a gente lança o disco com uma expectativa boa, esperando que o público assimile a música e a banda tenha um feedback disso.

Esperamos que nos dê essa resposta positiva por algum tempo, pelo menos até lançarmos o disco novo, e que isso reflita em shows no país também...

Novo Metal - Fale-nos um pouco sobre a arte da capa. Ela é meio enigmática (risos).

Penna: A arte do Kill The Betrayers foi toda concebida e feita pelo Marcelo HVC, que também já trabalhou com Gorgoroth, Vader e Belphegor. Cada um vai ter uma interpretação pessoal da capa no final das contas, assim como da música da banda, porque arte não tem que ser explicada, é meio complicado querer explicar a capa, ela é muito abrangente.

Basicamente tem o ‘traidor’ como personagem principal, já crucificado, morto, trazendo no corpo diferentes símbolos de religiões contemporâneas, mostrando que a mentira, assim como a verdade, não vem de uma fonte só.

Novo Metal - Kill The Betrayers apresenta um Death bem old-school, com levadas tradicionais e composições diretas e relativamente curtas. Fale-nos um pouco sobre as bandas que influenciaram diretamente a The Ordher na composição deste material.

Penna: Tudo o que a gente ouve, ou até mesmo o que a gente vê, filmes que a gente assiste, tudo isso é ingrediente pra escrever um disco. Particularmente ouço muito pouco Death Metal hoje em dia.

Já são quase 20 anos ouvindo Metal, e nos últimos anos perdi muito o interesse nas bandas novas, voltei a ouvir as bandas clássicas, as bandas que formaram os estilos que estão aí até hoje. Bandas como ACDC, Motorhead, Slayer, até mesmo o Morbid Angel, essas bandas que fizeram escola, são e sempre serão influência pra mim.

Novo Metal - A The Ordher foi citada recentemente em entrevista concedida pelo baixista do Cannibal Corpse, Alex Webster, como uma grande promessa do estilo. Vocês eram cientes deste elogio?

Penna: Sim. Ele deu essa entrevista logo após um show aqui em Porto Alegre. Tenho contato com o Alex desde a época que eu tocava no Rebaelliun. Tocamos num festival juntos na Áustria naquela época, trocamos alguns e-mails, então ele tava ligado quando a gente montou o The Ordher.

Ele chegou a ouvir nossa música bem antes da gente lançar o primeiro disco. Ficamos honrados, porque ele é uma referência dentro do Metal extremo, além de ser um cara muito gente boa.

Novo Metal - O Brasil vem revelando excelentes nomes na cena extrema. Concorda comigo que este é o momento de bandas do estilo investirem mais fortemente?

Penna: - Eu já estou nesse meio há muito tempo. Já vi a cena subir e descer diversas vezes. Sinceramente acredito que o melhor momento do Brasil pra Metal extremo foi por volta do ano 2000, o Krisiun tava se firmando naquela época, o Rebaelliun fazia turnês na Europa, surgia o Nephasth, Mental Horror, Abhorrence, Ophiolatry, e os fãs de Metal extremo na Europa e Estados Unidos estavam muito interessados no que tava rolando aqui, havia um interesse enorme pelo que se fazia no Brasil.

Hoje em dia vejo a cena muito enfraquecida no país, e um desinteresse enorme lá fora pelo que as bandas atualmente fazem aqui nesse momento. Talvez nos próximos anos isso mude de novo, isso é cíclico, e nas mudanças desses ciclos algumas bandas surgem, outras acabam, e poucas se mantêm.

Pessoalmente acho que sempre é momento de se investir forte quando se acredita no que se faz, eu sempre investi nos meus trabalhos, independente do Death Metal estar em alta ou não, não consigo ver de forma diferente.

Novo Metal - Fabiano, o fato de você estar na banda, pesa na responsabilidade da The Ordher fazer um Death de primeira? (N.R: Fabiano Penna é muito respeitado na cena, principalmente por seu trabalho ao lado do Rebaelliun)

Penna: Toco Death Metal há mais de 10 anos, já lancei alguns discos, fiz algumas turnês aqui e lá fora, ao lado de muitas bandas de qualidade, então sempre que eu me envolver em algum projeto, vou obviamente tentar fazer disso algo de nível.

De repente exista uma expectativa por parte de algumas pessoas em relação a isso, só tenho a agradecer, é sinal que tenho já algum crédito dentro do meio.

Novo Metal - Bom, encerro aqui. Parabéns pela tour e sorte na carreira, que promete ser longa.

Penna: Obrigado pela entrevista e pelo espaço no Novo Metal. Interessados no nosso trabalho, visitem www.myspace.com/theorderextreme.



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