Trinnity
28/10/2009
Fundada em março de 2002, a banca carioca Trinnity angariou reconhecimento dentro do cenário underground nacional.
Misturando elementos do Gothic/Doom e Atmosferic Metal, o quinteto conquistou grande repercussão nos anos de 2005 e 2006, tocando em grandes festivais do país. No entanto, em 2007, antes de lançar seu primeiro full-lenght, a banda encerrou as atividades.
Dois anos depois, a Trinnity reúne ex-integrantes para um revival, lançando também um myspace com o melhor da sua produção. Em entrevista ao Portal Novo Metal, a guitarrista Maria Fernanda Cals e a baixista Thais Dias comentam um pouco sobre o histórico e importância da Trinnity. Confira:
Portal Novo Metal - Deixando de lado o período de ‘recesso’(dois anos) da banda, em quase 5 anos de atividade e produção, qual é a identidade da Trinnity?
Maria Fernanda Cals: A reunião da Trinnity é composta de Mel Bôa Morte (vocal), Thais Dias (baixo), Maria Fernanda Cals (guitarra) e Virgínia Nuñez (guitarra). Chamamos o baterista David Rached (ex-Revulsion, atual Spirits) pra ocupar o posto como convidado. A ideia de reunir a banda surgiu com conversas entre as ex-integrantes saudosas da boa época da Trinnity (risos). Todas que um dia já fizeram parte do line-up do grupo foram convidadas, mas, por motivos de trabalho, estudo ou outras coisas, algumas não puderam aceitar.
Portal Novo Metal - Revendo uma das biografias oficiais da banda, eu tomei conhecimento de que uma mudança numerológica foi feita, acrescentando mais um ‘n’ ao nome Trinnity. Achei extremamente interesse este tipo de abordagem. Como surgiu essa conexão entre música e misticismo?
Thais Dias: Não é que a banda seja ligada ao misticismo, mas nós sempre procuramos fazer o melhor pela energia que está a nossa volta, então, buscamos obter equilíbrio através de todos os meios possíveis. Realmente existe um interesse individual pelo misticismo, mas a banda em si não segue nenhuma linha filosófica. No dia em que a banda foi criada, a Cristina (ex-vocal) fez o Mapa Astral da Trinnity e a Numerologia, e fazendo os cálculos, ela viu que ao acrescentar mais um “n” o nome também ficaria significando o número 3, que é um ótimo número para a criatividade e sucesso.
Portal Novo Metal - Seguindo a linha cronológica, a Trinnity iniciou com covers de bandas como The Cure, Sisters of Mercy e The Gathering. Com a entrada de Letícia Figueiredo nos teclados, a banda aderiu a uma sonoridade mais atmosférica, sem deixar de carregar a influência Gothic Metal. Já com a formação posterior (que durou de 2003 a meados de 2005), vocês apostaram em um Rock/Metal Groovy, com nítida carga Gothic/Doom. Hoje, a banda procura se ater a alguma definição (rótulo musical), ou o toque experimental continua forte?
Maria Fernanda Cals: Se eu ainda fosse rotular a Trinnity, com certeza diria que o som varia entre rock, gótico e metal. Não estamos compondo nada, já que a idéia é tocar apenas ao vivo as músicas que eram da banda. Se fossemos compor, acredito que seríamos bastante experimentalistas, até porque hoje em dia cada uma curte um tipo de som.
Portal Novo Metal - O primeiro trabalho da banda, "The Reflex of Emptiness" (2003), alcançou repercussões positivas na mídia especializada, marcando também mudanças intensas dentro da Trinnity. A vocalista Cristina Müller precisou deixar a banda para se dedicar mais à faculdade, e Mel Bôa Morte assumiu os vocais. Em seguida, a guitarrista Maria Fernanda Cals entrou na Trinnity, acrescentando mais peso e sonoridade às músicas. Com a saída, pouco tempo depois, da tecladista Letícia Figueiredo, vocês optaram pela formação: voz, 2 guitarras, baixo e bateria. O que mudou, em termos de direcionamento musical e composição lírica?
Thais Dias: As mudanças ocorreram naturalmente devido a saída de uma tecladista e a entrada de uma segunda guitarra, o que trouxe nitidamente mais peso à banda. Continuamos usando teclados nas gravações, mas nada comparado a ter uma tecladista/pianista na banda. Com o passar do tempo fomos amadurecendo mais musicalmente e fomos procurando fazer composições mais trabalhadas, com mais detalhes do que anteriormente.
Portal Novo Metal - Vocês integraram a coletânea Demo Section II, da revista Valhalla e fizeram vários shows no eixo Rio de Janeiro - São Paulo - Minas Gerais. No Vamp Festival 5 (São Paulo / SP), vocês tocaram para aproximadamente 1.500 pessoas. Como foi esse período de intensa produção e visibilidade? Quais foram as participações e eventos inesquecíveis?
Thais Dias: Foi muito bom o momento do reconhecimento, quando começamos a ser chamadas para tocar em vários eventos, participar de entrevistas e programas de rádio. É uma sensação muito gostosa mesmo. Fizemos muitos shows bons, como o Vamp Festival, a última edição da Thorns Gothic Rave, os eventos em Belo Horizonte, os shows em São Gonçalo no Rio, entre outros inesquecíveis.
Portal Novo Metal - O fato de ser uma banda exclusivamente feminina fez alguma diferença na promoção e divulgação da Trinnity? Quero dizer, o mito da utilização da imagem e beleza ainda é um diferencial na realidade de muitas bandas femininas, ou, como o próprio enunciado sugere, é apenas mitificação?
Maria Fernanda Cals: Se eu dissesse que o fato de sermos uma banda formada exclusivamente por mulheres não fez diferença na promoção e na divulgação da Trinnity, estaria mentindo. Fez sim. Sinto que as pessoas gostam, porque é mesmo um diferencial, principalmente num estilo como o metal, em que a participação feminina ainda tem muito o que crescer. Ao mesmo tempo, a cobrança é muito maior. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi “até que fulana toca bem...pra uma mulher”. É algo ligado a imagem, com certeza, mas nem tanto ligado a beleza. Acho que o público está interessado não apenas em ver se somos gatinhas ou não, mas também, e talvez até principalmente, se somos boas musicistas, arranjadoras, compositoras, etc.
Portal Novo Metal - Em 2006, mesmo com onze músicas próprias, o lançamento de um CD full-lenght não saiu. O que aconteceu?
Maria Fernanda Cals: O processo de pré-produção, gravação e pós-produção é algo trabalhoso, que envolve tempo, dedicação e dinheiro. Como uma banda independente, sem nenhuma gravadora pra bancar nosso debut, e tendo que dividir nossos dias entre estudo, trabalho e música, acabamos “engolidas” pela rotina e não conseguimos colocar em ação o que havíamos planejado.
Portal Novo Metal - O ano seguinte foi marcado pelo encerramento das atividades da Trinnity. Mel Bôa Morte, Rafaela Dias, Maria Fernanda Cals e Cynthia Tsai Yuen (que atualmente ocupa as baquetas da Scatha) formaram a Mystike. Virgínia Nuñez ocupou os vocais da Revulsion. Agora, dois anos após o rompimento, que tipo de emoção passa por vocês? Qual seria a razão maior para o retorno?
Thais Dias: Amávamos a Trinnity e ainda amamos! Acho que esse é o principal motivo, mas além dele tem o fato de podermos estar juntas novamente, com expectativa de subir novamente num palco 2 anos após estarmos separadas. É com toda certeza uma ótima emoção reviver momentos especiais assim.
Portal Novo Metal - A propósito: a Trinnity está, definitivamente, de volta?
Maria Fernanda Cals: Queremos aproveitar esse momento de felicidade e harmonia e ver no que dá, mas a ideia, a princípio, é fazer apenas esse show revival.
Portal Novo Metal - Quero deixar um abraço e sinceros votos de sucesso para a Trinnity. Que este revival marque não apenas o retorno esporádico da banda, mas uma volta triunfal. Este espaço final é de vocês.
Thais Dias: Gostaríamos de agradecer pelo apoio das pessoas que sempre deram força para continuarmos com a banda. Desde o final da banda sempre fui abordada por pessoas dizendo que a banda tinha que voltar e eu sinceramente achei que isso fosse impossível. Hoje vejo que nada é impossível se é feito com amor. Quero agradecer também por esta entrevista, pois você, Mara, sempre foi uma dessas pessoas que nos apoiou. Então, muito obrigada em nome de todas da Trinnity


