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Serão os músicos personagens?
Por Rafael Duarte
18/11/2007
No mundo do Rock’n’Roll existem tantas figuras exóticas e loucas que nem mais sabemos se são realmente autênticas ou apenas personagens inventados por eles próprios para conquistarem o público. Claro que existem grupos como o Kiss, que se inventaram quase como heróis de quadrinhos, mas esta é uma outra história. Estamos falando aqui de linhas tênues separando personagem e pessoa e da insistência de que tudo aquilo é verdade, passando a vida da pessoa a ser a do personagem.
Na genial livro Cadernos de Malte Laurids Brigge, Reiner Maria Rilke fala sobre uma máscara capaz de excluir a existência. De frente ao espelho, não há mais pessoa, apenas personagem, aparição. “Perdi toda a consciência de mim, parei de existir. Durante um segundo, senti uma indizível e calorosa saudade de mim mesmo; depois, só sobrou a aparição: não havia ninguém além dela.”
Quem são os roqueiros em casa? Pais dedicados? A não ser que sejam lançadas biografias de todos os artistas, nunca saberemos ao certo como isto funciona, mas quem será que eles vêem nos espelhos de suas casas? Haverá um conflito existencial entre o vivido e o criado? Pensando pelo lado de que já são mais de vinte anos de banda, o criado já teria sido tão vivido quanto o natural, então não poderia ser legitimado como real faceta dos músicos?
Uma máscara para esconder o passado, mudar de vida, para entrar no irreal mundo do showbizz, proteger a privacidade do artista... Quem sabe o motivo que leva a cada um escolher seu alter ego. Estamos sendo enganados por estes personagens ou apenas comprando o pacote completo dos artistas: música, imagem e personalidade (mesmo que esta terceira seja inventada)? Quem dorme mais tranqüilo no fim das contas, o músico, em acabar acreditando ser algo que não era há poucos anos, ou eu em achar ser verdade a “interpretação” dos artistas? Pois eu durmo como pedra, obrigado.
Ilustraçao: Hellder Andrade
18/11/2007

No mundo do Rock’n’Roll existem tantas figuras exóticas e loucas que nem mais sabemos se são realmente autênticas ou apenas personagens inventados por eles próprios para conquistarem o público. Claro que existem grupos como o Kiss, que se inventaram quase como heróis de quadrinhos, mas esta é uma outra história. Estamos falando aqui de linhas tênues separando personagem e pessoa e da insistência de que tudo aquilo é verdade, passando a vida da pessoa a ser a do personagem.
Na genial livro Cadernos de Malte Laurids Brigge, Reiner Maria Rilke fala sobre uma máscara capaz de excluir a existência. De frente ao espelho, não há mais pessoa, apenas personagem, aparição. “Perdi toda a consciência de mim, parei de existir. Durante um segundo, senti uma indizível e calorosa saudade de mim mesmo; depois, só sobrou a aparição: não havia ninguém além dela.”
Quem são os roqueiros em casa? Pais dedicados? A não ser que sejam lançadas biografias de todos os artistas, nunca saberemos ao certo como isto funciona, mas quem será que eles vêem nos espelhos de suas casas? Haverá um conflito existencial entre o vivido e o criado? Pensando pelo lado de que já são mais de vinte anos de banda, o criado já teria sido tão vivido quanto o natural, então não poderia ser legitimado como real faceta dos músicos?
Uma máscara para esconder o passado, mudar de vida, para entrar no irreal mundo do showbizz, proteger a privacidade do artista... Quem sabe o motivo que leva a cada um escolher seu alter ego. Estamos sendo enganados por estes personagens ou apenas comprando o pacote completo dos artistas: música, imagem e personalidade (mesmo que esta terceira seja inventada)? Quem dorme mais tranqüilo no fim das contas, o músico, em acabar acreditando ser algo que não era há poucos anos, ou eu em achar ser verdade a “interpretação” dos artistas? Pois eu durmo como pedra, obrigado.
Ilustraçao: Hellder Andrade


