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A mediocridade da vida artística frente ao fanatismo do público
Por Rafael Duarte
11/11/2007
Por falta de dinheiro para investir a fortuna de R$ 270 no show do místico guitarrista Steve Vai, resolvi comparecer ao menos à tarde de autógrafos para conhecer o cidadão. Estava na esperança de que o músico resolvesse pegar uma guitarra e plugar em um dos vários amplificadores que levam sua assinatura e tocar algumas das suas canções para o público. Mas o que pude identificar em sua expressão facial foi algo que mexeu internamente comigo, me trazendo uma compaixão sem tamanho.
O evento foi uma espécie de Voyer de autógrafos, onde foram distribuídas senhas normais e VIPs. Os fãs com senhas normais ficaram confinados em uma sala onde era possível ver o segundo andar, sem acesso ao músico. Lá, no piso superior, atrás de uma mesinha de madeira, com uma caneta na mão, Steve Vai autografava para os fãs “VIPs” as guitarras, cartazes, encartes de CDs e tudo mais o que aparecia em sua mão. Lá de baixo, os gritos pela atenção do ídolo; em cima, as fotos e apertos de mão.
O que mais me chamou a atenção em tudo aquilo foi a expressão do Steve. Fiquei imaginando que ele estaria ali provavelmente por questões contratuais das marcas que representa, ouvindo todos aqueles gritos de “Steve!! Look here!!” (Steve, olhe aqui) ou “Give me a ticket to your concert” (Dê-me um ingresso para vosso show - no bom Português shakesperiano, ou tradução do inglês do escritor). Será que ele não queria que todas aquelas pessoas explodissem e que ele pudesse simplesmente dar uma volta pela cidade, conhecer algumas pessoas que realmente interessassem a ele conhecer?
Claro que isso é apenas a visão de uma pessoa que nunca subiu em um palco, nunca sentiu o clima de dez mil (ou mais) pessoas gritando por sua música, gritando por você, querendo ouvir mais e mais do seu trabalho. E é exatamente isso: trabalho. Imaginem os músicos mais famosos e suas legiões de fãs fanáticos perseguidores, que não os deixam em paz um só segundo... Pouca gente gosta de trabalhar, imagina vinte e quatro horas por dia, atendendo aos fãs que precisam mais do que a música, mais do que a alma do artista em forma de sons, mas precisam do artista. Vai entender né? (Gostaram do trocadilho? Hehehehe).
Ilustração: Hellder Andrade
11/11/2007

Por falta de dinheiro para investir a fortuna de R$ 270 no show do místico guitarrista Steve Vai, resolvi comparecer ao menos à tarde de autógrafos para conhecer o cidadão. Estava na esperança de que o músico resolvesse pegar uma guitarra e plugar em um dos vários amplificadores que levam sua assinatura e tocar algumas das suas canções para o público. Mas o que pude identificar em sua expressão facial foi algo que mexeu internamente comigo, me trazendo uma compaixão sem tamanho.
O evento foi uma espécie de Voyer de autógrafos, onde foram distribuídas senhas normais e VIPs. Os fãs com senhas normais ficaram confinados em uma sala onde era possível ver o segundo andar, sem acesso ao músico. Lá, no piso superior, atrás de uma mesinha de madeira, com uma caneta na mão, Steve Vai autografava para os fãs “VIPs” as guitarras, cartazes, encartes de CDs e tudo mais o que aparecia em sua mão. Lá de baixo, os gritos pela atenção do ídolo; em cima, as fotos e apertos de mão.
O que mais me chamou a atenção em tudo aquilo foi a expressão do Steve. Fiquei imaginando que ele estaria ali provavelmente por questões contratuais das marcas que representa, ouvindo todos aqueles gritos de “Steve!! Look here!!” (Steve, olhe aqui) ou “Give me a ticket to your concert” (Dê-me um ingresso para vosso show - no bom Português shakesperiano, ou tradução do inglês do escritor). Será que ele não queria que todas aquelas pessoas explodissem e que ele pudesse simplesmente dar uma volta pela cidade, conhecer algumas pessoas que realmente interessassem a ele conhecer?
Claro que isso é apenas a visão de uma pessoa que nunca subiu em um palco, nunca sentiu o clima de dez mil (ou mais) pessoas gritando por sua música, gritando por você, querendo ouvir mais e mais do seu trabalho. E é exatamente isso: trabalho. Imaginem os músicos mais famosos e suas legiões de fãs fanáticos perseguidores, que não os deixam em paz um só segundo... Pouca gente gosta de trabalhar, imagina vinte e quatro horas por dia, atendendo aos fãs que precisam mais do que a música, mais do que a alma do artista em forma de sons, mas precisam do artista. Vai entender né? (Gostaram do trocadilho? Hehehehe).
Ilustração: Hellder Andrade


