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A Cultura do Atraso
Por Rafael Duarte
28/10/2007
A terceira é a questão motivadora deste texto: o atraso excessivo para começar o show. Este importuno pode ter origem em vários fatores, portanto não vamos culpar ninguém. Qualquer pessoa envolvida, seja a banda, a produção ou a equipe técnica pode ser o responsável. A verdade é que ninguém gosta de esperar, ainda mais em shows de grandes bandas de Metal, já que os fãs costumam passar algumas horas na fila em busca do disputado lugar perto da grade.
Mas esperar cinco horas em uma fila é muito mais fácil do que passar uma hora quando já estamos dentro da casa de shows, geralmente lotada, com pessoas brigando fisicamente por lugares mais e mais perto dos seus ídolos e ter ainda que aturar coros do tipo “Au au au, o Shaman é pontual”, como pudemos escutar no BMU 2006. Do lado de fora, tudo é festa, a cerveja é mais barata e há sempre aquelas figuras que só vão ficar por ali mesmo, ou seja, transformam a fila em atração principal da noite. O único inconveniente são aqueles rockeiros pobretões que resolvem ir pra porta pedir dinheiro pro ingresso e quem já conversou com eles após do show sabe que conseguiram o suficiente pra sustentar também o teor alcoólico nos seus sangues.
Em shows menores há uma cultura do atraso. Se o show estiver marcado pra 10 horas da noite, as pessoas se programam para chegar às 11 horas. E o pior de tudo, e mais curioso, deste ciclo vicioso é que, se o show for pontual, aí sim é que o público vai ficar insatisfeito. Algumas pessoas preferem chegar no horário, mas ficar na porta. Eu sou desses, só entro quando ouço um barulho promissor de guitarras. O pior desta técnica é quando, empolgados, entramos na casa de shows e constatamos que era só uma passagem de som de alguma banda que chegou em cima da hora. “Se sair não pode voltar mais”, adverte o segurança, “Ferrou!”.
Mas o público de Rock’n’Roll, Metal, Hard Rock ou qualquer coisa do gênero é tão fiel aos seus ídolos, que não importa o que aconteça, pode atrasar 3 horas, debaixo de chuva torrencial, ou de um sol escaldante, em uma casa de shows lotada, nada importa quando a banda entra no palco, a reação dos fãs é a mesma, inabaláveis. E durante aquelas horas de show, assim será. Irão aproveitar do mesmo jeito, gritar, cantar, pular, bater suas cabeças e fazer rodas. Só irão lembrar do atraso quando já tiverem saído de lá e perceberem a ineficiência do transporte público de madrugada e o quanto terão que andar, com os pescoços doendo, para chegar em casa.
Ilustração: Hellder Andrade
28/10/2007

A terceira é a questão motivadora deste texto: o atraso excessivo para começar o show. Este importuno pode ter origem em vários fatores, portanto não vamos culpar ninguém. Qualquer pessoa envolvida, seja a banda, a produção ou a equipe técnica pode ser o responsável. A verdade é que ninguém gosta de esperar, ainda mais em shows de grandes bandas de Metal, já que os fãs costumam passar algumas horas na fila em busca do disputado lugar perto da grade.
Mas esperar cinco horas em uma fila é muito mais fácil do que passar uma hora quando já estamos dentro da casa de shows, geralmente lotada, com pessoas brigando fisicamente por lugares mais e mais perto dos seus ídolos e ter ainda que aturar coros do tipo “Au au au, o Shaman é pontual”, como pudemos escutar no BMU 2006. Do lado de fora, tudo é festa, a cerveja é mais barata e há sempre aquelas figuras que só vão ficar por ali mesmo, ou seja, transformam a fila em atração principal da noite. O único inconveniente são aqueles rockeiros pobretões que resolvem ir pra porta pedir dinheiro pro ingresso e quem já conversou com eles após do show sabe que conseguiram o suficiente pra sustentar também o teor alcoólico nos seus sangues.
Em shows menores há uma cultura do atraso. Se o show estiver marcado pra 10 horas da noite, as pessoas se programam para chegar às 11 horas. E o pior de tudo, e mais curioso, deste ciclo vicioso é que, se o show for pontual, aí sim é que o público vai ficar insatisfeito. Algumas pessoas preferem chegar no horário, mas ficar na porta. Eu sou desses, só entro quando ouço um barulho promissor de guitarras. O pior desta técnica é quando, empolgados, entramos na casa de shows e constatamos que era só uma passagem de som de alguma banda que chegou em cima da hora. “Se sair não pode voltar mais”, adverte o segurança, “Ferrou!”.
Mas o público de Rock’n’Roll, Metal, Hard Rock ou qualquer coisa do gênero é tão fiel aos seus ídolos, que não importa o que aconteça, pode atrasar 3 horas, debaixo de chuva torrencial, ou de um sol escaldante, em uma casa de shows lotada, nada importa quando a banda entra no palco, a reação dos fãs é a mesma, inabaláveis. E durante aquelas horas de show, assim será. Irão aproveitar do mesmo jeito, gritar, cantar, pular, bater suas cabeças e fazer rodas. Só irão lembrar do atraso quando já tiverem saído de lá e perceberem a ineficiência do transporte público de madrugada e o quanto terão que andar, com os pescoços doendo, para chegar em casa.
Ilustração: Hellder Andrade


